Um caminho de pedras atravessando um jardim florido ao entardecer, com um lampião aceso ao lado — as pessoas e as estações da vida
Despertar · Consciência

As Pessoas e as Estações da Vida

Último dia de agosto.

E talvez seja um bom momento para agradecer não apenas pelo que este mês nos trouxe, mas também por todos aqueles que dividiram conosco algum pedaço do caminho.

A vida é feita de estações. E as pessoas também.

Algumas chegam na primavera, quando estamos florescendo.
Outras aparecem durante nossos invernos e nos ajudam a atravessar o frio.
Há quem chegue no verão, trazendo movimento, alegria e intensidade.
E há quem participe do nosso outono, justamente quando estamos aprendendo a soltar aquilo que já cumpriu seu ciclo.

Algumas atravessam muitas estações conosco. Outras ficam apenas uma temporada. E está tudo bem.

Porque, por mais que às vezes a gente esqueça, ninguém é de ninguém.

Filhos não pertencem aos pais.
Amores não pertencem um ao outro.
Amigos não nos pertencem.

Somos seres livres encontrando outros seres livres e, por algum tempo, compartilhando a mesma paisagem.

Estamos todos de passagem.

Nós mesmos já atravessamos tantas estações...

A criança que fomos ficou em algum lugar da nossa história. A adolescente deu lugar à adulta. A pessoa que fomos dez anos atrás talvez já não reconheça completamente quem somos hoje.

Mudamos. E nossas relações também mudam.

Nem toda pessoa que entra em nossa vida veio para permanecer até o final dela. Algumas vieram para determinada versão nossa. Fizeram sentido naquela fase, naquele momento, naquela necessidade. E quando a estação muda, às vezes os caminhos também mudam.

Isso não significa que aquele encontro tenha sido menos verdadeiro.

Talvez uma das formas mais bonitas de amadurecer seja aprender a não medir a importância de uma relação apenas pelo tempo que ela durou.

Existem encontros breves que nos transformam para sempre. Pessoas que já não estão ao nosso lado continuam vivendo em alguma coisa que deixaram em nós: numa frase, num ensinamento, numa coragem que despertaram, numa lembrança, num jeito diferente de enxergar a vida.

E existem aquelas que permanecem. Que conheceram nossas primaveras e nossos invernos. Que atravessaram tempestades, mudanças, perdas, recomeços... Que conheceram diferentes versões nossas e continuam por perto.

Que privilégio.

Mas até essas relações precisam de liberdade. Porque talvez amar seja também compreender:

“Você não me pertence. Eu apenas tenho a alegria de dividir esta estação da vida com você.”

Hoje agosto termina. Mais uma pequena estação da nossa existência se encerra.

Antes de correr para setembro, olhe por alguns instantes para os últimos 31 dias.

Quem esteve ao seu lado?
Quem chegou?
Quem se afastou?
Quem permaneceu?

E, principalmente: quem você se tornou enquanto tudo isso acontecia?

Talvez existam pessoas pelas quais você possa simplesmente agradecer, mesmo que seus caminhos já tenham se separado. Talvez existam ciclos que você ainda esteja tentando segurar, mesmo percebendo que a vida já começou a mudar de estação. E talvez existam pessoas ao seu lado agora que mereçam um abraço um pouco mais demorado.

Porque nunca sabemos exatamente quanto tempo dura uma estação. Sabemos apenas que estamos aqui. Agora. Compartilhando este pequeno pedaço da existência.

Exercício de hoje

Pense em três pessoas: uma que passou, uma que permanece, uma que chegou recentemente. E diga, mesmo que apenas em pensamento:

“Obrigada pelo tempo em que nossas estações se encontraram.”

Sem posse. Sem cobrança. Apenas gratidão.

Afirmação:

Eu agradeço cada encontro, respeito cada partida e confio nas novas estações que a vida prepara.

Gratidão, agosto. Por quem chegou. Por quem ficou. Por quem precisou partir. Pelo que floresceu. Pelo que amadureceu. Pelo que caiu para abrir espaço ao novo. E por todas as versões de nós que existiram dentro desses 31 dias.

Amanhã começa setembro. Mas hoje... agradecemos pela estação que termina.

Novo Olhaar — Tudo muda, quando mudamos o olhar.

Pra ir mais fundo

Olhar para trás com gratidão — para quem passou, quem ficou, quem chegou — é um exercício que rende mais quando a gente escreve. O Caderno de Reflexões traz perguntas pra fazer essa revisão com calma, no fim de um mês, de um ciclo, de uma estação.

Conhecer o Caderno de Reflexões →

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